Tempos atrás todos tinham histórias de partos para contar. O "normal" era ter parto normal, e as mulheres tinham mais filhos.

Quando uma mulher ia ter seu filho, ela já tinha visto outras parirem, suas vizinhas, suas primas, suas irmãs. Ela já tinha visto outras amamentarem...mas e agora?

Nascidas na geração do leite em pó ficamos sem referências e um tanto perdidas. Na onda virtual, proponho que relatemos nossas histórias tal qual se fazia em outros tempos.

Sintam-se convidados e dividam suas histórias com a gente!

terça-feira, 20 de abril de 2010


Um dia muito especial...
25 de Fevereiro de 200916:50hComeçou com um trovão, junto com a mulher do documentário da Discovery sobre a gravidez. Todo mundo falou que quando viesse a primeira contração de verdade sua mãe saberia. E ela soube. Eu comecei a sentir uma euforia diferente e um medo igual. Ligamos para a sua doula*, a Natália, e ela disse para assistirmos a um filme, o que era estranho pois a gente já estava assistindo a um filme. Sua mãe disse que não queria e eu disse que daria uma pausa enquanto ela tivesse tendo contrações e ela me mandou engolir o controle remoto. Ela realmente não queria assistir nenhum filme.19:30hO seu tio Vitor chamou a gente no Skype. A gente ficou conversando com ele. Quer dizer, eu fiquei. Sua mãe só falava entre uma contração e outra. E a coisa foi aumentando. O medico, Dr. Antônio Júlio (Barbosa como você e sua mãe), falou pra gente ligar pra ele quando viesse uma contração a cada 5 minutos durante uma hora. Aqui elas já estavam de 10 em 10, 5 em 5... mas a coisa variava bastante. Alguém disse que quando pulasse uma contração pra recomeçar a contagem. Foi o que eu fiz.20:40hSua mãe entrou no chuveiro. Foi sugestão da Doula que já queria estar aqui mas estava num parto muito complicado. Sua pediatra, a Sandra, estava nesse mesmo parto. Mas nós achávamos que seu nascimento ainda iria demorar muito. Eles pela experiência. Nós pela inexperiência.21:40hA coisa começa a ficar esquisita. Sua mãe começou a cantar uma melodia que ela fez na hora enquanto estava no chuveiro. Parecia um cântico religioso. Eu já botei letra:“Nossa Senhora / da boa hora / dai nos coragem que eu to vindo pra fora”. Não sei se ela gostou.Nesse momento, sua mãe teve um sangramento. A moça que a tinha examinado de manhã falou que isso poderia acontecer. Liguei para o medico: era o tampão. Liguei para a doula: idem. Esperamos um pouco mais.22:25hVomitada. Sim é desagradável a descrição mas é importante para o desfecho. Ligo para a doula que ainda estava no outro parto. Ela disse que se precisasse viria já pra casa mas que era tudo normal.Vou ser sincero. Fiquei com um pouco de vergonha de ligar de novo pro médico pois as contrações ainda estavam inconstantes.Achando que a coisa ia demorar, fui ler a Superinteressante no quarto. Falava sobre a máfia e eu pensando “que mundo é esse que esse cara ta se metendo...”22:56hMais sangramento e vômito. Ah, a beleza do nascimento! Quanta poesia!- Vamos já pro hospital!- Tudo bem. Mas espera mais essa contração.- Porque?- ahhhhhhhhhhhhhhmmmmmgrrrlll...- Entendi.23:22hPuxa esse motor do carro novo é bom mesmo!Vi que a coisa era séria quando sua mãe fez uma ponte no banco da frente e pediu pra eu passar no sinal vermelho do cruzamento da Faria Lima.E as contrações não ficaram de 5 em 5. Foram direto pra 2 em 2 minutos.Eu ainda achava que você só nasceria de manhã.23:45h-10 cm de dilatação. Não sei se o Doutor Júlio consegue chegar pro parto.- Mas ele mora a duas quadras do hospital!-Eu sei.0:00h- Preciso de uma veia para o soro.- Pra quê?- Anestesia- Não quero(olhar significativo pra outra enfermeira)0:15hO Dr Júlio chegou. A Natália também. Sandra entra na sequência.-Pai, você precisa preencher a ficha de internação.-Não vai dar tempo, pede pra ele por a paramentação.0:25hParamentados e apostos.Outra enfermeira:-Pai, você precisa preencher a ficha de internação.-Não vai dar tempo.-Não tem jeito. Senão não podemos internar.Nunca assinei tanta coisa em tão pouco tempo.0:45hTodos apostos. Só se ouve o medico e sua mãe.O quarto é simples mas o ambiente é de muito aconchego. Silêncio e tranqüilidade só quebrado pelo grito primal que veio da sua mãe.1:10hDar à luz. Eu demorei anos pra entender essa expressão. Não me culpo pois a crase não aparece na forma oral. O acento transformou seu significado. E, agora, seu significado transformou a minha vida.Três dias depois sua bisavó Neide disse quando te conheceu: Viva João! Viva João! Viva João!Eu tava lá pra ver. Dia 26 de fevereiro do ano da graça de 2009, João viveu.*Doula: Acompanhantes de parto profissionais, responsáveis pelo conforto físico e emocional da parturiente durante o pré-parto, nascimento e pós-parto.
Keep Breathing The storm is coming, but I don't mind. People are dying, I close my blinds. All that I know is I'm breathing now.I want to change the world, instead I sleep. I want to believe in more than you and me. But all that I know is I'm breathing. All I can do is keep breathing. All we can do is keep breathing now.All that I know is I'm breathing.All I can do is keep breathing. All we can do is keep breathing...All we can do is keep breathing now.Continuar Respirando
A tempestade esta vindo mas eu não me importoPessoas estão morrendo, eu fecho minhas cortinasTudo o que eu sei é que estou respirandoEu quero mudar o mundo mas ao invés disso eu durmoEu quero acreditar em algo mais do que eu e vocêMas tudo o que sei é que estou respirandoTudo o que posso fazer é continuar respirandoTudo o que podemos fazer é continuar respirandoTudo o que sei é que estou respirandoTudo o que posso fazer é continuar respirandoTudo o que podemos fazer é continuar respirandoTudo o que podemos fazer é continuar respirando...Tudo o que podemos fazer é continuar respirando agora
Posted by Filipe Trielli at 9:12 AM 1 comments